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O Assunto é Cinema – Analisando Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

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Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h (horário de MS), no Spotify da Educativa MS.

NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach

O Assunto é Cinema analisa “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, filme dirigido por Jon Favreau. A trama acompanha o Mandaloriano e seu fiel companheiro Grogu depois dos acontecimentos da terceira temporada do seriado da Disney+, quando o caçador de recompensas passa a trabalhar para a Nova República em busca de imperiais remanescentes pela Orla Exterior da Galáxia. A nova missão envolve resgatar o Rota, o Hutt, das arenas de lutas de Shakari.

Depois de sete anos ausente dos cinemas, Star Wars retorna com os personagens mais carismáticos entre seus protagonistas no streaming. O Mandaloriano interpretado por Pedro Pascal e o animatrônico Grogu, inicialmente apelidado de “Bebê Yoda”, se tornaram os favoritos dos fãs. As referências orientais que George Lucas incorporou na franquia com a cultura samurai fortaleceram a imagem do ronin e seu “filho adotivo”, tal como o clássico mangá de Kazuo Koike ou quaisquer filmes de Akira Kurosawa com personagens do gênero.

Jon Favreau soube capturar a essência da franquia ao resgatar os mandalorianos e aliar seu código e cultura a um inocente bebê alienígena, contemplando tanto o clichê do guerreiro solitário quanto o da criatura fofa, algo que George Lucas estabeleceu desde o começo da saga. A fórmula rendeu três temporadas de sucesso e uma participação que salvou o derivado “Star Wars: The Book of Bobba Fett”. Toda a repercussão positiva foi o bastante para convencer o estúdio que o Mandaloriano e Grogu eram a opção mais segura para um retorno aos cinemas para a franquia.

Infelizmente o resultado é um bom filme, que poderia ser ainda mais bem avaliado, não fosse a continuação de um seriado que esperava trazer os fãs para os cinemas. O fato é que o roteiro escrito por Jon Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor poderia render uma quarta temporada muito boa, principalmente em comparação ao excesso de fanservice da anterior. Produzir um longa-metragem com a intenção de resgatar a franquia do limbo no cinema rendeu a pior estreia de um filme da saga, resultando em uma bilheteria que consegue ser pior que a do desnecessário “Han Solo: Uma História Star Wars”, em 2018.

Analisando a produção isoladamente, temos pontos extremamente positivos como o aceno ao trabalho de Frank Oz. Ver o pequeno Grogu se movimentando como se fosse manipulado por um titereiro quando podia ser artificialmente recriado como uma criatura digital é de um respeito muito bem-vindo com o legado de Frank Oz para a franquia. O mesmo vale para a impressão de stop motion que os monstros passam em seus movimentos, algo que Favreau e a equipe de efeitos tiveram o cuidado de recriar. Este tipo de referência estética é algo que mostra o respeito a todo um legado de artistas que tornaram a saga tão relevante para a história do cinema.

No elenco, Pedro Pascal pouco precisa fazer além de entregar o estoicismo do Mandaloriano em suas falas, já que ele passa praticamente o filme inteiro usando o elmo do personagem, algo que mantém a especulação de que a grande maioria das suas cenas são filmadas pelos dublês Brendan Wayne e Lateef Crowder, reduzindo drasticamente a presença do ator no set. Isso nunca foi um problema para a franquia já que o próprio Darth Vader tinha apenas a voz imponente de James Earl Jones enquanto a atuação física ficava por conta do fisiculturista David Prowse. Sigourney Weaver pouco tem a fazer a coronel Ward da Nova República, ainda que sua presença no filme tenha mais a ver com seu carisma e legado na ficção científica.

O Hutt Rota, filho de Jabba e herdeiro legítimo de seu império criminoso, é interpretado por Jeremy Allen White, ator que vem se destacando como o protagonista da série “O Urso” e que, por mais que empreste apenas a voz e os trejeitos ao personagem, em momento algum parece um boneco digital. É interessante o desenvolvimento que o longa dá para o jovem Hutt, mais um ponto positivo da produção. Outra participação exótica é a de Martin Scorsese como o alienígena Hugo Durant, algo que a série já havia feito com a ponta de Werner Herzog como um oficial imperial, marcando a importância da saga espacial entre os grandes cineastas.

A trilha de Ludwig Göransson evolui do que se tinha no seriado para combinar com a estética urbana do planeta Shakari, um planeta repleto de neon e becos. A variação do tema principal pode incomodar os fãs mais puristas que esperavam algo menos eletrônico, mas vale lembrar que o próprio John Williams já fez coisa parecida quando incorporou guitarras na trilha de “Star Wars: O Ataque dos Clones” em 2002, outro filme que evocava grandes paisagens urbanas. Os designs de Andrew L. Jones em cima do trabalho de Doug Chiang deixam tudo bonito de se ver, tanto nos sets mais modernos como na natureza de planetas como Nal Hutta, lar dos Hutts.

O grande problema de “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” está no fato de que é um filme que fica no meio do caminho entre a TV e os cinemas. O apuro estético e técnico da produção são visíveis, mas não é nada muito além do que o seriado já apresentou. A falta de convicção da Disney com a franquia acaba comprometendo o desempenho de um filme que poderia ser bem melhor avaliado, caso pudesse ser visto isoladamente das produções televisivas. É uma pena constatar que, mesmo sobre o cuidado criativo de um produtor dedicado como Dave Filoni, as decisões estratégicas do estúdio seguem sendo o calcanhar de Aquiles da franquia.

“Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” está em cartaz nos cinemas.

 

Nota 8.

 

Confira o trailer do filme “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”:

 

Ouça o episódio analisando “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, entre outras atrações, direto do Spotify da Educativa MS:

 

Foto: Divulgação.

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