O Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h (horário de MS), no Spotify da Educativa MS.
NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach
O Assunto é Cinema analisa a animação “Super Mario Galaxy”, filme dirigido por Aaron Horvath e Michael Jelenic. A trama acompanha Mario e seu irmão Luigi em sua nova vida como heróis no Reino dos Cogumelos. Quando Koopa Jr. decide sequestrar uma princesa no espaço para levar adiante o plano de resgatar seu pai – o Rei Koopa – Mario, Luigi e a princesa Peach precisam descobrir quem é essa princesa em uma aventura que explora novos mundos nesse universo.
O longa adapta livremente o jogo de mesmo nome e vai além ao resgatar personagens dos demais jogos da franquia. Se no filme anterior havia uma preocupação em descrever os estágios horizontais e os tradicionais desafios dos jogos, aqui a ideia é expandir tridimensionalmente a ação. Em um dado momento, nem mesmo a gravidade importa, já que os personagens podem andar pelo que antes era um teto ou uma parede. A nova dimensão remete à evolução da própria franquia que foi do bidimensional de “Super Mario Bros” ao tridimensional em “Super Mario 64”.
O roteiro de Matthew Fogel com colaboração de Shigeru Miyamoto, criador de Mario, segue à risca a estrutura dos jogos: surge uma ameaça, o problema é apresentado, os heróis partem para a ação sem mais delongas. Nos jogos, o jogador geralmente assume o controle com poucos minutos de apresentação. Essa é a estrutura clássica da franquia, desde o começo. Levar isso para as telas é uma tarefa complicada, algo que o primeiro filme fez muito bem. O ritmo é frenético como nos jogos e os muitos detalhes ficam para o olhar atento dos fãs. Quem não conhece a franquia, vai se divertir da mesma forma. É um filme para crianças, o público alvo dos jogos, mas traz grandes acenos aos veteranos da franquia que seguem curtindo os jogos depois de 40 anos de história.
Um jogo com vários personagens no novo filme é “Super Mario Bros 2”, a versão norte-americana da sequência de 1985. Neste jogo, Mario e seus amigos enfrentam Birdo, Mouse e Wart, além de um infindável exército de Shy Guys e Ninjis. Sua aparição no filme em um cenário que remete a um cassino faz referência aos mangás publicados nos anos noventa, algo diferente do cenário do jogo, mas que os adeptos mais fanáticos vão reconhecer dos mangás de Kazuki Motoyama, falecido ano passado. Este tipo de aceno aos fãs não afeta em nada o andamento da trama e faz com que cada detalhe em cena seja valorizado nos 98 minutos de projeção.
“Super Mario Galaxy” ainda traz elementos de jogos como “Super Mario Bros 3”, “Super Mario Sunshine” e “Super Mario Odyssey” e ainda expande o universo para outras franquias da Nintendo. Uma surpresa para os fãs é a participação especial de um personagem que já havia sido visto nos trailers, Fox McCloud, da série de jogos “Star Fox”, outra criação de Miyamoto. Por mais que as prévias tenham entregue esta que é uma das surpresas do filme, a presença do personagem reforça a proposta da Nintendo de expandir seu universo nas telas sem comprometer o andamento da narrativa, algo que foi feito com Donkey Kong no longa anterior.
O elenco de vozes segue competente: Chris Pratt como Mario e Charlie Day como Luigi seguem o bom trabalho e o mesmo pode ser dito de Anya Taylor-Joy como Peach ou Keegan-Michael Key como Toad. O extravagante Rei Koopa de Jack Black cede espaço para o filho, interpretado por Benny Safdie. Donald Glover pouco tem a fazer como Yoshi, mas sua introdução traz uma criativa reinterpretação do clipe “This is America”, onde Glover atua como o rapper Childish Gambino. Essa referência é um aceno da produção para além do mundo dos jogos, algo muito bem-vindo e respaldado pela presença do próprio artista. Glen Powell entrega um Fox McCloud canastrão como Han Solo, justamente o piloto que ajuda os heróis no “Star Wars” original, o mesmo papel do personagem de Fox no filme.
A dublagem brasileira é igualmente competente e combina bem com todos os papéis em mais um belo trabalho do Estúdio Delart, desta vez com direção de Flávia Fontenelle. Por ser uma animação, as vozes brasileiras acabam funcionando naturalmente, do Mario por Raphael Rossatto ao Luigi de Manolo Rey e a Peach de Carina Eiras, todos transmitem muito bem as personalidades de suas contrapartes. Por se tratar de uma animação, fica natural assimilar as vozes na adaptação. No quesito musical, a trilha de Brian Tyler segue resgatando os grandes temas de Koji Kondo para os jogos. Outro ponto interessante é que o novo filme não licencia nenhuma canção fora do universo dos personagens, algo que muitos fãs reclamaram do filme anterior.
“Super Mario Galaxy” presta uma bela homenagem ao personagem em seu aniversário de 40 anos. A criação de Shigeru Miyamoto já formou mais de uma geração de jogadores que aprenderam com as mecânicas simples de seus jogos a se divertir com um jeito diferente de contar histórias, consolidando nas últimas décadas os videogames como uma forma narrativa autêntica. Se a adaptação anterior teve o mérito de afastar o estigma negativo da adaptação frustrada de 1993, o novo filme consolida a Nintendo como produtora cinematográfica. Agora é esperar o live-action de “Legend of Zelda” para ver o resultado fora do mundo das animações, a expectativa só aumenta depois do sucesso de Mario. “Super Mario Galaxy” está em cartaz nos cinemas.
Nota 9.
Confira o trailer de Super Mario Galaxy:
Ouça o episódio analisando “Super Mario Galaxy”, entre outras atrações, direto do Spotify da Educativa MS:
Foto: Divulgação.
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