Plantas que embelezam a natureza escondem em suas flores, folhas, caules e raízes substâncias de valor inestimável para o tratamento de diversas enfermidades. Conhecidos como fitoterápicos, esses recursos naturais são alvo de estudos e pesquisas em todo o país. Em Mato Grosso do Sul, um projeto desenvolvido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul dá um passo importante para a implantação da Farmácia Viva no estado.
Confira a reportagem com Elaine Silva:
A história do chá atravessa séculos e culturas. Segundo registros históricos, a bebida surgiu há mais de 5 mil anos, quando folhas caíram por acaso na água quente do imperador chinês Sheng Nung. Desde então, o hábito se espalhou pelo mundo, seja como tradição cultural, medicina natural ou momento de pausa no cotidiano.
Além do chá tradicional, muitas culturas desenvolveram o costume de preparar infusões com plantas medicinais. É nesse contexto que surge o projeto da UFMS, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde, que pretende disponibilizar à população produtos à base de plantas medicinais.
A iniciativa faz parte de um movimento nacional de implantação das Farmácias Vivas, financiado pelo Ministério da Saúde. A execução ocorre dentro da universidade, em uma área de um hectare cedida pela Faculdade de Medicina Veterinária.
A meta para os próximos três anos é produzir, em média e larga escala, plantas como guaco, erva-baleeira, colônia e capim-cidreira. Além dessas, o projeto prevê o cultivo de cerca de 50 a 60 espécies medicinais, o que deve impulsionar pesquisas, ações de extensão universitária e a ampliação dos chamados quintais medicinais.
Inicialmente, a produção não será suficiente para atender toda a demanda do estado. Os fitoterápicos produzidos pela Farmácia Escola deverão beneficiar pacientes atendidos no Hospital Universitário, além de usuários das unidades de saúde próximas, estudantes e professores da instituição. No local, também haverá atendimento para orientação e prescrição adequada.
A Escola de Saúde Pública desempenha papel fundamental no projeto, sendo responsável por orientar tanto os profissionais quanto a população sobre o uso correto das plantas medicinais. O alerta é necessário, já que muitas pessoas cultivam plantas em casa sem a identificação correta da espécie, o que pode trazer riscos à saúde.
Atualmente, os medicamentos ainda não estão sendo fabricados e distribuídos, pois o projeto aguarda a liberação do alvará da Vigilância Sanitária. A expectativa é que, com o avanço das etapas, a iniciativa seja expandida para outras regiões do estado, consolidando a Farmácia Viva como modelo de inovação para municípios de Mato Grosso do Sul e do Brasil.
Em Campo Grande, é comum encontrar bancas que comercializam produtos à base de plantas medicinais. Mesmo assim, os próprios vendedores alertam sobre a necessidade de cautela e orientação profissional antes do consumo.
Especialistas reforçam que nem toda planta é medicinal e que o uso inadequado de chás e ervas pode provocar reações adversas. Por isso, a orientação é buscar informações confiáveis e acompanhamento profissional, garantindo segurança e eficácia no uso da medicina natural.
Imagem: Canva
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