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O Assunto é Cinema – Analisando Halloween: The Game

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O Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h, no Spotify do Assunto é Cinema.

NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach

O Assunto é Cinema analisa “Halloween: The Game”, jogo desenvolvido pela Illfonic e publicado pela Gun Interactive. A trama da campanha individual se baseia em trechos do filme original, escrito e dirigido por John Carpenter em 1978. O modo multijogador emprega elementos de vários filmes da franquia para recriar no jogo os cenários e situações das tramas com um jogador assumindo como Michael Myers e outros quatro jogadores incorporando os sobreviventes.

O terror segue sendo o melhor gênero para jogos multijogador assimétricos. Michael Myers já havia aparecido como um dos muitos vilões selecionáveis em “Dead by Daylight”, mas a descaracterização do personagem por conta das mecânicas específicas do jogo deixaram os fãs dos filmes um tanto quanto desapontados. A comparação com o sucesso independente do jogo “Sexta-Feira 13” desenvolvido pela estreante Illfonic era inevitável e deixou fãs de ambas as franquias com a impressão de que Michael Myers merecia a mesma abordagem em um jogo.

A repercussão positiva de “Sexta-Feira 13” fez com que a Illfonic assumisse outras franquias cinematográficas como “Predador” e “Killer Klowns From Outer Space”, aplicando o mesmo formato assimétrico em jogos multijogador com os personagens. O reconhecimento com os fãs dessas franquias veio com o tempo depois de ajustes de jogabilidade e novos conteúdos sendo inseridos gradativamente nos jogos desde os respectivos lançamentos. O mesmo acontecerá provavelmente com “Halloween: The Game” que, apesar de já ser lançado com uma campanha, ainda tem muito conteúdo e ajustes a caminho desde o lançamento em setembro de 2026.

A campanha solo funciona como um grande tutorial do modo multijogador apresentando as mecânicas de jogo de Michael Myers. O jogador aprende a usar as habilidades do personagem em diferentes cenas do filme original, tendo que seguir estritamente as orientações, algo que deixa a campanha um tanto quanto maçante para quem esperava mais do que um tutorial desse modo do jogo. Além de não recriar as cenas com precisão por não terem os direitos das vozes e fisionomias de todos os atores, o jogo sofre com uma campanha excepcionalmente curta.

Além disso, o tutorial ainda carece de um modo que o jogador possa optar jogar como um sobrevivente, seja jogando como a Laurie Strode genérica, por falta da licença para o uso da imagem da atriz Jamie Lee Curtis, seja jogando como o Doutor Samuel Loomis, esse com imagem e voz licenciada pela família do falecido ator Donald Pleasance. Isso acaba frustrando os fãs por conta da promessa no anúncio do jogo de um modo campanha exclusivo, algo que acabou não se concretizando. Por mais que outros jogos do estúdio não tenham campanha ou que o próprio “Sexta-Feira 13” tenha ganho um tutorial anos depois do lançamento, a promessa de uma campanha acabou levando muitos fãs a comprar o jogo com essa expectativa, algo complicado de aceitar se considerarmos os preços dos jogos e o número de lançamentos do semestre.

A grande atração do jogo está no modo multijogador que reúne quatro jogadores como sobreviventes contra um jogador no controle de Michael Myers. O vilão tem habilidades como deslocamento nas sombras, visão destacada e outras capacidades liberadas depois de cumpridas certas tarefas. Os sobreviventes precisam encontrar recursos nas casas para poder deter o vilão enquanto tentam acionar a polícia por telefones espalhados ou fugir com o carro. As mecânicas podem não ser tão diferentes do já visto em “Sexta-Feira 13”, mas o que mais entretém no modo é cooperar ou não com os outros jogadores para escapar e sobreviver depois de 20 minutos.

Um porém está no fato de que ainda não é possível matar Michael Myers nas partidas, algo que em “Sexta-Feira 13” dependia de uma combinação insana de fatores. Um jogador controlando uma das sobreviventes tinha que encontrar e vestir o suéter da mãe do Jason em sua cabana escondida aleatoriamente no mapa enquanto um dos jogadores mortos tinha que voltar ao jogo como Tommy Jarvis para então, depois de um outro jogador remover a máscara do vilão, a jogadora com o suéter se aproximar de Jason e distraí-lo enquanto Tommy Jarvis dava um tiro certeiro no monstro. Era algo extremamente difícil de fazer e tinha de ser muito bem combinado entre os jogadores, mas quando dava certo, era extremamente divertido.

“Halloween: The Game” pode até permitir prender Michael Myers, mas por mais que seja algo bacana de executar, não chega nem perto do êxtase de conseguir derrubar Jason Voorhees em “Sexta-Feira 13”. Era uma mecânica coerente com os filmes e que recompensava os fãs e jogadores mais dedicados, algo que ficou superficial em “Halloween”. É provável que novos mapas explorem mais a cidade de Haddonfield e outros cenários dos filmes bem como novos personagens e ítens cosméticos sejam adicionados nos próximos meses, mas fato é que o lançamento do jogo poderia ser bem mais robusto e ir além da promessa de um jogo bom para o futuro. Era algo compreensível nos projetos anteriores do estúdio, mas que aqui acaba pagando um preço um pouco mais alto justamente pela expectativa criada. Vale para os fãs, mas quem ainda está na dúvida, melhor esperar pelos ajustes e as prometidas expansões para o futuro.

“Halloween: The Game” está disponível para PCs, Playstation 5 e XBOX Series S e X.

Nota: 6.

Confira o trailer de “Halloween: The Game”:

 

Foto em destaque: Divulgação.

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