Comparação visual entre manteiga e margarina, com foco nos ingredientes e benefícios para a saúde.
Nutrição

Manteiga ou margarina: qual faz menos mal à saúde?

Estudos mais recentes mostram que a resposta é mais complexa do que parece

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Durante décadas, a disputa entre manteiga e margarina dividiu nutricionistas, médicos e consumidores. Houve um período em que a margarina era considerada a alternativa mais saudável. Depois, a manteiga voltou a ganhar popularidade por ser um produto mais natural.

Mas afinal, o que a ciência mais recente diz sobre essa velha discussão?

A principal diferença está na gordura. A manteiga é produzida a partir do leite e contém principalmente gorduras saturadas. Já a margarina é fabricada a partir de óleos vegetais e possui maior quantidade de gorduras insaturadas, consideradas mais benéficas para a saúde cardiovascular.

Durante muitos anos, parte das margarinas continha gordura trans industrial, associada ao aumento do risco de doenças cardíacas. Esse foi um dos motivos que prejudicaram sua reputação. Hoje, porém, a situação é diferente. Após mudanças regulatórias em diversos países, incluindo o Brasil, as gorduras trans industriais foram praticamente eliminadas das margarinas modernas.

Uma das maiores análises sobre o tema, publicada na revista científica PLOS Medicine, acompanhou mais de 220 mil pessoas por várias décadas. Os pesquisadores observaram que o consumo mais elevado de manteiga esteve associado a maior mortalidade geral, enquanto o consumo de óleos vegetais apresentou associação com menor risco de morte por doenças cardiovasculares. Outros estudos e revisões publicados por instituições como a American Heart Association concluem que substituir parte das gorduras saturadas por gorduras insaturadas pode reduzir o risco cardiovascular.

Quando a pergunta é especificamente sobre saúde cardiovascular, a maioria das diretrizes médicas atuais favorece as gorduras insaturadas. Isso significa que margarinas de boa qualidade, produzidas com óleos vegetais e sem gordura trans, costumam apresentar vantagem sobre a manteiga para pessoas com:

  • colesterol elevado;
  • histórico de doenças cardiovasculares;
  • hipertensão;
  • diabetes;
  • alto risco cardíaco.

Especialistas alertam que existe uma enorme diferença entre as margarinas disponíveis no mercado. Algumas possuem perfil nutricional melhor, com maior teor de gorduras insaturadas e menor quantidade de gorduras saturadas. Outras são mais processadas e podem conter maiores quantidades de sódio e aditivos. Por isso, a leitura dos rótulos continua sendo importante.

Aí fica a pergunta: mas a manteiga tem alguma vantagem? Sim. A manteiga possui uma lista de ingredientes simples e geralmente passa por menos processamento industrial. Além disso, seu sabor costuma agradar mais muitos consumidores.

Para pessoas saudáveis que consomem pequenas quantidades dentro de uma dieta equilibrada, a manteiga não é considerada um alimento proibido. O problema surge quando o consumo é frequente e em grandes quantidades.

A nutrição moderna vem abandonando a ideia de alimentos “bons” ou “ruins” isoladamente. Especialistas destacam que o padrão alimentar completo costuma ser mais importante do que a escolha entre manteiga e margarina.

Uma pessoa que consome frutas, verduras, legumes, peixes, grãos integrais e pratica atividade física regularmente provavelmente terá mais benefícios do que alguém focado apenas em trocar manteiga por margarina.

Existe uma terceira opção:  nos últimos anos, muitos especialistas passaram a recomendar o uso de azeite de oliva como alternativa para parte das preparações. O azeite é rico em gorduras monoinsaturadas e possui evidências consistentes de proteção cardiovascular, especialmente dentro do padrão alimentar mediterrâneo.

A ciência atual sugere que a antiga visão de que toda margarina faz mal já não corresponde à realidade. As margarinas modernas sem gordura trans e com predominância de óleos vegetais tendem a ser mais favoráveis à saúde do coração do que a manteiga. Isso não significa que a manteiga precise ser eliminada da alimentação, mas que seu consumo deve ocorrer com moderação.

No fim das contas, a resposta que os estudos mais recentes oferecem é menos dramática do que a discussão costuma parecer: para o coração, a qualidade da gordura importa mais do que a tradição do alimento.

Imagem criada por Canva I.A

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